O controle da asma: saiba como identificar e tratar a doença

A asma (do grego “ofegante”) é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por sintomas variáveis e recorrentes, obstrução reversível ao fluxo aéreo e espasmo da musculatura dos brônquios.

Os sintomas incluem chiadotosseaperto no peito e falta de ar, podendo aparecer em conjunto ou isoladamente.

A asma é classificada clinicamente de acordo com a frequência dos sintomas e pelo grau de comprometimento da função pulmonar medida principalmente pelo volume expiratório forçado no 1º segundo do sopro (VEF1).

Pode também ser classificada como atópica (extrínseca) ou não-atópica (intrínseca), sendo que a atópica é a forma que mais se associa aos quadros alérgicos, seja rinite alérgica, seja alergia de pele, surgindo mais frequentemente na infância, podendo desaparecer na adolescência e retornar, ou não, na vida adulta.Acredita-se que seja causada por uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais.

O  tratamento dos sintomas agudos geralmente ocorre com o uso de um broncodilatador de ação imediata e curta duração por via inalatória (como o salbutamol) e dependendo da intensidade da crise, um corticoide sistêmico (oral, venoso ou intramuscular).

Os casos que exigem tratamento de longo prazo irão utilizar corticosteroides por via inalatória, associados a broncodilatadores e outros agentes antialérgicos como o Montelikast. As exacerbações agudas são geralmente precipitadas por fatores (“gatilhos”) químicos, físicos ou biológicos. Entre esses podemos citar como os mais frequentes: viroses respiratórias, sinusitesperfumesfumaçacigarropêlo e pele de animais (cães, gatos, aves), emoçõesestressear frio e seco e até mesmo exercícios físicos aeróbios. Seu diagnóstico geralmente é feito com base no padrão de sintomas e / ou resposta à terapia ao longo do tempo e com o auxílio do exame de espirometria. A prevalência de asma aumentou significativamente desde a década de 1970. Em 2010, 300 milhões de pessoas foram afetadas em todo o mundo. Em 2009, a asma causou 250.000 mortes em todo o mundo. Apesar disso, com o controle adequado da asma com terapia progressiva, o prognóstico é geralmente bom.

Atualmente com a pandemia mundial do Coronavirus, uma preocupação extra surgiu para os asmáticos quanto ao potencial risco de desenvolverem as formas mais graves da síndrome respiratória aguda grave do COVID-19. Entretanto, pessoas com asma podem respirar um pouco mais aliviadas pois novas pesquisas sugerem que a condição não aumenta o risco de hospitalização devido ao COVID-19.

Uma revisão dos registros de 10 hospitais afiliados à Northwestern Medicine revelou mais de 1.500 pacientes com COVID-19. Destes, 14% tinham asma.

Usando modelos que consideravam idade, sexo e etnia, enquanto se ajustavam a fatores de risco para asma, como tabagismo obesidade, os investigadores não encontraram diferença significativa nas chances de hospitalização entre pessoas com e sem asma.

O uso de medicamentos para asma – como corticosteróides inalados e beta-agonistas de ação prolongada – não aumentou o risco de hospitalização. Finalmente, os pesquisadores descobriram que a asma não levou a mais mortes por COVID-19.

“Normalmente, esperamos que pacientes asmáticos apresentem piores resultados, já que a doença viral pode desencadear exacerbações da asma”, disse o autor correspondente Dr. Anju Peters, professor de medicina da Northwestern Feinberg School of Medicine, em Chicago.

Mais estudos devem ser feitos para analisar a modulação imune subjacente causada pelo tratamento da asma para ver qual o impacto que isso pode ter nos resultados do COVID-19.

Os resultados foram publicados em 18 de junho no Journal of Allergy. Se você tem dúvidas sobre asma ou quer mandar sugestão de tema para a coluna, envie email para silviomusman@yahoo.com.br.
 Dr.Silvio Musman Médico especialista em Pneumologia, Medicina do Exercício e do Sono.

Fonte: uai.com.br